O grupo Endoxo composto por Will e Bêonin, ambos da Zona Leste de Manaus fazem parte da crew Aposse92 (onde Kurt Sutil também se integra), visam trazer mais a arte da vivência de das áreas. Endoxo e Kurt Sutil representam a Zona Leste de Manaus em “Senhorita”.
Em “Senhorita”, Will, Bêonin e Kurt, três artistas da Zona Leste de Manaus retratam suas vivências, perspectivas, e é claro, a malandragem. É certo, mas não justo, que a “arte da malandragem” não é vista com bons olhos.
Aliás, se debruçar sobre essas questões, é sempre um exercício complexo. Porém, é principalmente nas músicas que bons malandros se eternizam e propagam mensagens reais e necessárias. Aliás, essas foram as principais proposições que vieram na minha cabeça para tentar definir “Senhorita”, mais recente single do grupo manauara Endoxo com participação de Kurt Sutil e produção musical de Vittor Clover e 2088 Label.
A música também vem acompanhada de um videoclipe dirigido por Weslen Simplício, que se baseou na estética “conversa de bar”. Novamente, os artistas entregam um olhar acentuado sobre as vivências pelas ruas da Zona Leste de Manaus. “Senhorita” é sutil pela desordem. É aquilo que intriga em meio aos conflitos. Desse jeito, o grupo consegue entregar um olhar reflexivo sobre os díspares de um lugar subjugado.
Ao longo de um trabalho que acima de tudo exalta os valores da Zona Leste, mas sem usar maquiagem em determinados momentos, Endoxo usa dos versos livres para não só se afirmarem como músicos, mas sobretudo, para ressaltar a malandragem que ecoa. “Cada um relata o que aprendeu com a malandragem que as ruas da Zona Leste ensinam. Desde pequeno quem mora aqui sabe que o aprendizado é diferenciado vivendo e sabendo pegar exemplos dessas bandas. Tanto que no som não falta referência dessa área. Retratando que todos com a individual vivência tem ideias parecidas e jogando nas linhas o que admiramos e repudiamos”, retrata Endoxo.
Dentre tantos versos precisos que fazem jus ao cenário “Da Leste”, cada narrativa no decorrer do som, desfere tapas na cara, nada gratuitos e que, ao invés de somente “doer”, preferem fazer pensar. Ao perguntar o que a Zona Leste de Manaus realmente representa para os artistas, fica claro o motivo: Para Bêonin: Representa inspiração! Basta eu dar uma volta pra surgir uma rima ou um tema.
Will: Aqui representa meu ponto máximo de histórias. E o que reflete nos sons já é a prática das idéias ditas.
Kurt: Minha letra explica bem essa situação. Zona Leste é um local muito descriminado de todas as formas, mas quem é daqui se orgulha de ser daqui. Colocar Z.L nas letras também inspira quem é daqui e quem tá no mesmo corre. Se pelo aspecto musical a faixa chama atenção, a poesia que é retratada, também eleva-se. Os artistas expõem uma visão realista e afirmativa de como enxergam a Zona Leste – mesmo que em desvantagem –, mas com o poder em mãos: a arte de fazer música.
“O melhor dos sentimentos, satisfação demais por lançar mais um trabalho de qualidade nas ruas e esperamos que isso se repita sempre”, destaca o grupo. “Senhorita”, traz uma batida oriental marcada no pé e na rasteirinha para enaltecer o que vem chegando. Todas as seções da produção levam o ouvinte ao ápice, e não é para menos, já que Vittor Clover foi certeiro.
A música foi composta por um Groosbeat e outros elementos sonoros produzidos justamente para diferenciar a melodia direta e deixar ela mais cortada, e sobretudo, para realçar a energia do som. O audiovisual, um dos pilares memoráveis, produzido por Simplício e Sutil, é um universo à parte e que, ao mesmo tempo, sintetiza todo o videoclipe. Trata-se, inclusive, de uma reafirmação do vínculo com a simplicidade do local, seu ritmo e por fim a proposta primordial da faixa.
“Eles exaltam a essência do bairro, que é o que acaba complementando todo o visual. Toda a galera reunida, como se estivessem festejando um final de semana, onde tiram toda a carga do trabalho ou da semana. O clima é de bar com o lado filosófico das vivências”, explica o diretor Weslen Simplício. “Essa é a arte que eu faço. Malandro é malandro, longe do errado, cobrando o correto. Desde menor sabendo viver, ô menino esperto”.
“Senhorita” veio como um lembrete de que eles tem muito o que oferecer, mas é (foi e será), um movimento nortista em formato de manifesto. Mas de maneira renovada e, digamos, mais relaxada. Com a leveza e tranquilidade em alguns momentos parece haver um descompromisso intencional, mas o resultado é poderoso e poético, além de musicalmente arrebatador, e novamente, necessário.